MAXWELL ALEXANDRE

Maxwell cresceu observando as vastas distâncias do mundo ao qual aspirava pertencer. Originário e criado na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, sua jornada artística teve início aos 22 anos. Inspirado pelas letras profundas dos artistas do Rap Nacional, Maxwell encontrou sua voz ao retratar a vida frenética e rica em contrastes da favela carioca. Seu trabalho mergulha nas complexidades da violência policial, desigualdade social, cultura e empoderamento racial.

Inicialmente focado na pintura abstrata, Maxwell encontrou uma nova direção ao se deparar com a vibrante cena do Rap Nacional. As músicas dos artistas não apenas inspiraram, mas também alimentaram sua produção artística, permeada por signos e temas que refletem vividamente o cotidiano dos moradores das periferias. Utilizando materiais como papelão, lonas de piscinas Capri e imensos painéis de papel pardo, Maxwell ilustra um universo afrocentrado em suas obras monumentais.

A relação simbiótica de Maxwell com a música é evidente, não apenas em suas pinturas, mas também nas colaborações com o rapper BK’, para quem criou capas de álbuns e singles. Esta parceria resultou em arte crítica, carregada de uma realidade irônica, que reflete a essência das ruas. Muitas de suas obras incorporam trechos das letras de BK’ em seus títulos, reinterpretando mensagens e retratos do universo periférico para a linguagem pictórica.

Maxwell constrói sua poética visual estabelecendo conexões entre diversos espaços e instituições dentro do universo periférico: da igreja à escola, do mundo do crime à polícia. Sua exposição “Pardo é Papel” já percorreu renomados espaços artísticos como o MAR – Museu de Arte do Rio, Instituto Tomie Ohtake, Fundação Iberê Camargo e MAC Lyon, na França, além da David Zwirner Gallery em Londres. Através de suas obras, Maxwell não apenas documenta, mas também eleva a narrativa da periferia, promovendo uma reflexão profunda sobre identidade, história e desigualdade social.

Recebeu o Prêmio São Sebastião de Cultura em 2018, foi eleito artista do ano pelo Deutsche Bank em 2020, listado entre os 35 artistas de vanguarda pelo Artsy, venceu o Prêmio PIPA em 2021 e em 2025 ganhou o Prêmio APCA de Melhor Exposição Nacional pela mostra Novo Poder: passabilidade. Em 2023 foi também reconhecido como Homem do Ano na categoria Cultura pela revista GQ Brasil.

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