Arcangelo Ianelli (São Paulo, 1922 – São Paulo, 2009) foi um dos principais nomes da abstração geométrica no Brasil. Sua trajetória artística, iniciada na década de 1940, atravessa diferentes fases, partindo de uma pintura figurativa para, gradualmente, consolidar-se em uma investigação rigorosa da forma, da cor e do espaço.
Autodidata, Ianelli desenvolveu uma linguagem própria marcada pelo equilíbrio estrutural e pela depuração progressiva dos elementos pictóricos. A partir dos anos 1960, sua produção torna-se essencialmente abstrata, estruturada por campos cromáticos precisos e construções geométricas que exploram ritmo, tensão e harmonia. Na década de 1970 — período de grande maturidade artística — suas composições evidenciam o domínio das relações tonais e uma sofisticada pesquisa sobre transparências, sobreposições e densidade cromática.
Sua obra dialoga com o legado construtivo brasileiro, mantendo, no entanto, uma dimensão sensível e meditativa que a distingue dentro do panorama da arte concreta e pós-concreta. O rigor formal é constantemente tensionado por sutilezas cromáticas e por uma atmosfera silenciosa, quase contemplativa.
Participou de importantes exposições no Brasil e no exterior, incluindo diversas edições da Bienal Internacional de São Paulo, e integra acervos institucionais de relevância, como o do Museu de Arte de São Paulo (MASP), Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) e Pinacoteca do Estado de São Paulo.
A produção de Arcangelo Ianelli ocupa lugar fundamental na história da arte brasileira do século 20, afirmando-se como uma investigação consistente sobre os limites da pintura e suas possibilidades construtivas.







